quinta-feira, 30 de junho de 2011

quase 6 meses depois...

Ela era a minha melhor e mais adorada amiga.
Mas ela tinha feito algo errado. Ela nunca me mandava tomar no cu pelo microfone, por exemplo. Nunca virava uma bacia de bosta na minha cabeça.
Eram micro coisinhas, eram nuances de desdém, olhares que nunca ninguém no mundo poderia ver, eu mesma duvidava se tinha visto. Aquilo foi ou não uma frase arrogante? Ela quis ou não me ofender? Não era óbvio. Ela vinha em fumaças. Eu não entendia as intenções, até porque tudo vinha meio fanho, meio dito, meio baixo, meio com a cabeça virada pro outro lado.
Nada era claro. Dito de olhos para olhos.
Quando eu percebia, eu tava me sentindo idiota por alguma situação que ela tinha causado. Dentro de mim crescia uma defesa, um ataque, uma raiva.
Vou matar essa vaca, meter a mão na cara dela.
Mas eu me sentia louca em sentir tudo isso. Por que eu bati a porta do carro com força? Por que eu não dei bom dia pra ela? Ela não me fez nada! Será que fantasio maldades? Gosto de ser maltratada? Eu tenho mania de perseguição?
E passava noites em claro me odiando. Será que eu sou louca? Por que tenho raiva dessa pobre garota que tanto gosta de mim e me atura e me adora e me ajuda? Será que não sei ser amada? Ou amar? Será que tenho inveja dela? Será e será e será…?
Ela nunca levantou a voz, nunca fez uma crítica mais cruel, nunca me disse o que realmente pensava, nunca brigou pra valer pra fazer as pazes pra valer. Sempre fina, educada e preservada. Sempre correta, fazendo pose. Sempre do alto de suas boas intenções e equilíbrios, com piedade da amiga que se perdia e se descabelava. Ela era um prato cheio pra minha cabeça.
Não existe nada mais apetitoso para alguém que pensa muito como a boa e velha tortura mental. Dissimulação é a pós graduação da punhalada nas costas.
Fiquei nessa, sem saber e mesmo pedindo desculpas. A maldade ou sacanagem ou fraqueza escancarada é fácil de afastar. Mas o que fazer com as pessoas que te dão colo e carinho e poesia? Eu acho que a vi,uma vez paquerando meu ex namorado. Mas disse pra mim mesma “ela está apenas olhando pra ver se ele está me olhando, como uma boa amiga que é”. Eu achei, numa festa estranha, que ela ia toda hora no banheiro chorar, porque é o que eu queria naquela festa estranha: chorar. E ela me olhou macabra e sorriu da maneira mais muda possível. Não como uma amiga que não pode contar uma coisa pra outra porque há limites tristes para tudo, mas como alguém mau, que carrega o submundo da alma como taça para você jamais ser convidado para o esgoto. Para você se sentir um rato renegado e só por isso ainda mais rato do que os soterrados na merda.
Ela seria só mais um amor que acabou não fosse o ódio especial e insuperável que carrego pelas pessoas traidoras de poesia de mundo. Pessoas que de alguma maneira e em algum momento, me mostraram que era possível apegar, aconchegar, relaxar num mundo eterno. Pessoas que pareciam entender e entendiam essa coisa toda que me lambuza e rebusca o peito. Não preciso do que é igual e nem parecido. Falo dessa coisa, essa necessidade de poesia de mundo, essa comemoração boba e quase impossível que duas pessoas pra valer sentem pra valer quando é pra valer.
Eu fico aqui na boa, na minha casa. Acho mesmo que a vida é isso, almoçar lá na minha mãe com a Lolita lambendo meu dedão. E meu pai chega todo cheiroso. E a tarde uma boa amiga me liga pra gente ir ao cinema e nada demais. A noite alguém carinhoso passa aqui só porque fico muito mal humorada e seca sem isso. E tudo bem. Nasci com um troço aqui que ninguém entenderia mesmo e que algumas músicas e filmes e livros e crianças e bichos e cores e madrugadas e bem cedinhos, às vezes, me trazem a tona pra mim e vivo num misto de egoísmo solitário pra caramba. Uma coisa que cabe o mundo todo mas que não preenche justamente por isso. E tudo bem. Estou sempre entre o conformismo em sentir tudo isso sozinha cada dia com menos impaciência e dor e a espera gigantesca cada dia maior. Mas aí algumas pessoas aparecem e me tiram daqui e me dizem e me provam que sentem tudo isso também e que é possível que eu saia da toca aceita e quentinha. E por alguns dias ou anos, eu vislumbro atravessar uma rua de braços abertos como a gente faz só quando está muito feliz porque não é só no mundo. E alguns amigos e amores, são como o mundo dizendo que tem eco pra existir. Ser você existe! Vai com tudo!
E essa minha amiga, a irmã que não tive, era a amiga de poesia de mundo. Era com ela que eu sonhava pegar trens em algum lugar mais longe que tudo e ir pra outro ainda mais longe. Era com ela que eu sonhava, no dia que minha mãe ou meu pai morresse, tomar um café em algum lugar legal e estar tão miserável a ponto de fazer uma piada que só ela entenderia como aquilo era humano demais. E no show do Radiohead, a gente ficaria num espaço que desse pra girar tanto que o mundo pararia. E quando um amor acabasse, ainda que cada uma tenha a sua vida, a gente iria, nem que por alguns minutos, fazer um chá pra outra e dizer que existe sim algo que dê certo. Burlamos o inferno, querida, nos escondemos aqui, como irmãs pequenas, atrás do caldeirão que fode tudo, tudo vira um caldo de merda que corrói, mas nós, nós burlamos o mundo e demos certo porque o amor de verdade nada mais é que brincar de esconde-esconde levando a pureza bem a sério.
Essas pessoas me fazem tanta falta, elas não existem, mas tenho saudade delas como se todas tivessem explodido em alguma guerra terrível que dizimou o meu tipo de gente.

“Alguém me ensina a pensar menos nele? Alguém me ensina a não repetir centenas de vezes a mesma cena na cabeça? E não fazer dessas lembranças o meu maior martírio? Porque dói, dói muito pensar que há pouco tempo eu estive inteira com ele e o deixei partir, assim, sem insistir, sem nem um “fica mais um pouco?”. É possível não sentir esses arrepios ao lembrar-me do toque, do cheiro, do beijo dele? Ah, eu daria tanta coisa para que aquele anjo estivesse aqui comigo agora, hoje, amanhã, sempre. Eu daria tudo pra vê-lo sorrir mais uma vez pra mim, mas quando estou com ele fico tão pequena, entrego-lhe o que ainda me resta, ele vai embora e eu fico aqui, me sentindo incompleta, me sentindo um nada, sobrevivendo apenas de migalhas da minha memória.”


Eu sinto falta de uma coisa que possui nome, endereço, cpf, e uma bipolaridade gigante, eu sinto falta do jeito que as coisas eram no começo de setembro. Sinto falta e por mais que a cabeça e algumas amigas dizem pra eu dar uma pulada no assunto, não consigo. E não desisto. Sinto apenas falta mas agora não sei de que e nem o porque disso tudo, nem sei o motivo desse texto . Sinto sua falta. Sinto falta do jeito que você era.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tenho vontade de te chamar de idiota . Porque é isso que você é. Tá me perdendo e não percebeu ainda . Tá esperando legenda? Eu choro, respiro, tenho medo mas isso não faz a mínima diferença pra você. Mas eu insisto em nós e vim aqui te pedir cuidado. Não me deixa ir embora, isso é quase uma súplica. Cuida do pouco que restou de nós pra ver se ainda vai restar alguma coisa pra contar pros nossos filhos - se eles existirem, claro - Mas não deixe eu sair por aquela porta. Mesmo que seja de mãos vazias. Eu não voltaria pra buscar nada. Porque na verdade, não ficaria nada para trás . Nem roupas, nem jóias. Nem amor. Nem lembranças. E isso vai doer que eu sei. É, eu só lamento, sabe.



Lamento ter visto muita coisa numa pessoa que não viu nada em mim.

domingo, 26 de junho de 2011

A festa bombava as luzes insistiam, os barulhos iam cessando como um prêmio e as pessoas tentavam me aquecer. Eu sabia que estava sendo amada, talvez como nunca em toda a minha vida. Mas só tinha olhos para os pêlos do seu braço. Eu olhava como quem não olha e me dizia baixinho: olha eles lá, olha lá os pêlos que eu tanto amo sem mais e sem fim.

Matei finalmente a saudade do seu dedão. Seu dedão meio largo, meio torto, com a unha que preenche todo o dedão. Eu amo o seu dedão, amo sua unha meio roxa, amo a semicircunferência branca que sai da sua cutícula e vai até o meio da sua unha, amo a sua mão delicada que sai de um braço firme. Amo que os pêlos da sua mão pareçam meio penteados de lado.

É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te comer no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos.

E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano.

Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você.

Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naqueles cocôs da sua rua, naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão.

Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega-sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que você dobrou chorando, porque é mesmo o cúmulo alguém não te amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu.
Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu.
Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado.



' Nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.'

.'' Ela ainda não tinha aprendido a virar uma escrota maluca e largar o cara falando sozinho na festa, ela ainda tinha a bondade de ir chorar no banheiro e esperar que a vida pudesse voltar a ficar bonita depois da descarga cheia de papel higiênico com ranho. ''

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Eu posso ter um cara mais gostoso, como de fato já tive milhares de vezes. Mas por alguma razão prefiro suas piadas velhas e seu jeito homem de ser. Você é um idiota, uma criança, um bobo alegre, um deslumbrado, um chato. Mas você é homem. E talvez seja só por isso que eu ainda te aguente: você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo.
(....)
Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais.
Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

“Passei a vida te esperando, entende? Quando eu te escondo o jogo, quando eu te trato mal, é tudo medo, é tudo medo do amor.

- Cazuza.

terça-feira, 14 de junho de 2011

definição perfeita do amor...

Amor é quando você acha que a pessoa com quem você se relacionava era egoísta, possessiva e infantilóide e isso não reduz em nada a sua saudade, não impede que a coisa que você mais gostaria neste instante é de estar tocando os cabelos daquele egoísta, possessivo e infantilóide.
Amor é quando você sabe tintim por tintim as razões que impedem o seu relacionamento de dar certo, é quando você tem certeza de que seriam muito infelizes juntos, é quando você não tem a menor esperança de um milagre acontecer, e essa sensatez toda não impede de fazê-lo chorar escondido quando ouve uma música careta que lembra os seus 14 anos, quando você acreditava em milagres.

Martha Medeiros

domingo, 12 de junho de 2011

feliz dia dos namorados.

É muito engraçado escrever um texto de dia dos namorados pra você, mesmo você não vendo e você não sendo meu namorado. Agora fudeu. Agora vou ter que procurar palavras bonitas, tentar não rimar cão com chão e evitar exclamação.

Eu sempre tentei te entender, antes mesmo da gente se conhecer, eu já sabia que não ia ser fácil. Quando eu te bloqueava por um mês inteiro no MSN, você nem calculava que eu ia dar muito mais trabalho do que você podia imaginar. É. O começo não foi fácil mesmo. Eu achava que fosse ficar com você e continuar solteira. Você de lá e eu de cá. Tudo certo. Achei que dava pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, afinal não era pra ser nada sério mesmo. Mas isso era só o começo.

Isso foi antes de eu descobrir que você organiza as latinhas de refrigerante em linha (!!!) na geladeira. Que você é tão organizado que paga previdência privada e alinha também as almofadas em cima da cama. Que arruma a própria cama. Que arruma tudo que eu bagunço na sua vida. Isso foi antes de eu descobrir que eu ia ser só sua. Isso foi antes de eu te conhecer. Isso foi antes de eu me apaixonar. Agora fudeu.
Agora eu bagunço tudo e você não liga. Eu deixo todas as luzes da casa acesa e você vem atrás apagando. Eu faço você assistir grays anatomy comigo. E você vai. Ultimamente você tem feito tudo com o maior prazer. Fazendo todas as minhas vontades. Quer me levar ao médico cada vez que eu dou um espirro diferente do normal. Você quer me levar sempre aos melhores lugares. Você faz questão que eu esteja linda. Mais porque sabe que eu me preocupo com a aparência do que por você mesmo. Por você eu poderia acordar e dormir descabelada. Você consegue me achar linda de manhã cedo e fazer eu me sentir a Gisele Bundchen.

Agora já era. Ta tudo dominado. Você quer confiscar minha calça jeans velha que marca a bunda, estica o olho cada vez que apita uma mensagem no meu celular e liga de dez em dez minutos toda vez que eu saio de casa depois das nove da noite. E ainda reclama que eu tenho ciúme. Reclama dos meus achismos. Reclama do decote. Reclama da saudade. Reclama do tempo. Reclama de tudo só pra exercitar. Exercitar a chatura. A chatura que eu amo.

Não acredito em datas comerciais. Pra mim, isso é um desculpa sem contexto pras pessoas gastarem dinheiro. E a gente, que deu pra entender de palavras, gasta texto. Eu aqui virando a noite pra colocar no papel meia dúzia de frases legais porque fui contagiada com a melosidade do dia :D

Descrição perfeita.

Este não é um texto sobre o amor. É um texto sobre uma cidadã que já amou demais. Uma cidadã que faz tudo errado. Que se desconserta quando alguém fala que gosta dela. Que é contraditória por natureza. Que fala a verdade quando deveria mentir. Que diz que é fiel aos seus sentimentos mas não entende nada sobre fidelidade. Que gosta de um cara mas sai com outro sábado à noite. Que quer se matar por dar end no cidadão que ela mais quer quando ele liga e ela está com outro. Que já largou um cara dentro do cinema sozinho e nunca mais voltou. Que já saiu de casa às duas da manhã numa terça-feira fria. Que já chorou por um homem. Que já chorou por alguns homens. Que não tem vergonha de falar o que sente. Uma cidadã cujo sorriso entrega suas emoções. Cujos lábios movem quando ela pensa. E cujos olhos não a deixam mentir.

Uma cidadã que odeia beterraba. Odeia quando tem que esperar alguém ligar. Odeia mais ainda quando esse alguém não liga. Odeia os homens que têm namorada e ficam ligando pra ela (qualé?!). Uma cidadã que adora chocolate. Adora sua própria companhia. Adora não ter mais idade pra brincar de polícia-e-ladrão. Pra fazer joguinho. Adora já ter passado da fase de fingir que ela não está afim quando está.

Só que essa cidadã faz tudo errado. Ela diz por aí que quer namorar. Mas se esquiva quando seus casos começam a ficar sérios.
E só se envolve com os “não-namoráveis”. Os mais galinhas. Os mais baladeiros. E anda dispensando todos os caras com quem ela poderia pensar em fazer planos. Talvez porque, lá no fundo, ela goste de ser solteira. De poder escolher com quem ela vai sair no final de semana. Talvez ela queira ligar praquele cara bacana no meio do show do Rappa. Talvez porque ela ache que sair e conhecer novas pessoas seja uma coisa bacana. E porque ela ainda não encontrou alguém que faça valer a pena largar tudo isso pra se comprometer a um cara só.

Talvez porque ela goste de chegar em casa sozinha. Tirar suas roupas e se jogar em cima da cama. Poder deixar tudo espalhado. Tomar banho de porta aberta. Reservar-se o direito de não atender o telefone fixo. Assistir ao canal de TV que ela bem entender. Ficar na internet por quantas horas achar conveniente. Dar end no celular de acordo com seu humor. Ir e vir de onde ela bem entender. À hora que ela bem entender. E com quem ela bem entender. Talvez ela até goste de comer miojo quando tem preguiça de sair pra almoçar nos finais de semana. E talvez ela prefira a companhia do seu passarinho na sua cama. Talvez tudo isso seja verdade. E talvez tudo isso passe. Mas fato é que a cidadã não vai abrir mão disso por pouca coisa. E que ela não troca suas tardes de domingo sozinha por tardes de domingo em companhia errada.

Fato é que a cidadã não quer alguém pra chamar de namorado. Ela quer um alguém que ainda não encontrou. E o dia que ela encontrar, ela não vai deixar esse alguém escapar por nada deste mundo. Porque essa cidadã sabe o que é perder o cara que é o amor da sua vida. Sabe o que é fazer tudo errado sempre. Mas, mesmo assim, ela não tem medo de começar tudo de novo. De tentar outra vez. De viajar mais 800km pra dizer, mais uma vez, que ama. E essa cidadã só quer viver de novo aquilo que ela conhece muito bem. Amar. Incondicionalmente. Viver incondicionalmente. Viver sem fazer planos. Sem querer prever o futuro. Estar do lado de alguém que é o mundo pra ela. Estar do lado da pessoa certa. Aquela única pessoa com quem ela gostaria de estar. Alguém que conhece todos os seus medos. Todos os seus sonhos. Que sonha junto com ela. Alguém por quem ela abriria mão de todas as maravilhas da vida de solteira. E por quem ela acredita que vai fazer tudo certo um dia.

Sinceramente... eu mereço ler isso todos os dias de minha vida :s

Lá está você. Protagonizando aquela cena digna de novela mexicana. Você se tranca no banheiro. Senta na tampa do vaso sanitário. Apóia o rosto nas mãos e os cotovelos nas pernas. Chora. Chora, não. Desaba! Você chora até perder as forças. E deixa a dor escorrer pelos olhos. E essa dor te consome. Suga de você toda energia, todo viço da pele e todo brilho dos olhos. Mas é que você nunca soube muito bem lidar com finais infelizes. E vai ter que aprender na marra agora.

Acontece que não te contaram que Romeu e Julieta morreram e nunca mais se encontraram. Não te contaram que hollywood cria histórias mágicas que não se repetem na vida real. E você acreditou que podia ter o amor da sua vida pra sempre. E agora, você está sem chão. Sem forças. Sem rumo. Sem o mínimo controle da situação. E o que é pior: sem a mínima vontade de começar tudo de novo. Encarar a vida de solteira. As cantadas baratas. As noites vazias. Os “eu te ligo” nada confiáveis. Os finais de semana em casa. Os finais de semana na rua. Os feriados em que você precisa arrumar uma super viagem bacana pra não correr o risco de sobrar na capital sozinha.

Até que suas amigas te tiram de casa - praticamente à força - e você decide se aventurar na primeira noitada da sua nova (!!!) vida de solteira. E é então que alguma coisa parece avisar ao sexo masculino que você é “carne nova” no pedaço. Você está altamente solicitada na festa. Aqueles que já te conhecem vêm falar com você. Vêm dizer como está linda. Perguntam pelo namorado. Que namorado??? Tudo bem. Era só um pretexto pra se aproximarem de você e se certificarem de que está mesmo solteira. O papo não é lá dos piores. Você conversa com um, conversa com outro. Conhece gente nova. Ri horrores. Conhece gente interessante. Gente chata. Uns mais novos. Outros mais velhos. Homens bonitos. Outros feios de doer.

Você está cercada de pessoas por todos os lados. Mas você senta no canto da festa sozinha. Você e aquele mísero copo de plástico de vinho suave barato (outra vez!). As pessoas parecem estar se divertindo enquanto você faz um enorme esforço pra entender como alguém pode se divertir daquela maneira. Beijando bocas aleatórias e conversando com pessoas que nada sabem a seu respeito. Virando garrafas de álcool e rindo de si próprios. Subitamente, então, sua filosofia barata é interrompida. Um inconveniente, chato, feio e bêbado tira seu sossego. Fala duas frases. Não pergunta seu nome mas diz que quer te beijar. Você não enxerga quais as razões que a levariam a cometer tal insanidade. Depois de meia hora tentando se livrar daquele encosto, você percebe que ele não vai mesmo sair dali e resolve fazer isso você mesma. Deixa o cidadão falando sozinho e continua na festa. Bebendo, rindo num tom que beira o nervosismo e observando quais as possibilidades na sua nova vida noturna.

Já é quase dia e seus pés doem incessantemente. Todo mundo bêbado e feliz (ou pelo menos se achando). Você bebeu um ou dois copos de vinho e está sóbria. E, mesmo que tivesse se embriagado, sabe que iria pra sua casa dormir e acordar sóbria e com uma puta dor de cabeça. E tudo voltaria ao normal. Mas você nem curte beber assim. É hora de partir e você entra no seu carro. Aquele pedacinho de poucos metros quadrados se transforma no maior espaço do mundo. E você, na menor pessoa do mundo. É tanto espaço sobrando. Você gostaria de não saber o que está faltando, mas você sabe muito bem. Você chora. Compulsivamente. E começa a imaginar, então, como vai ser sua vida daí pra frente. Com perspectivas nada animadoras. Você precisa de você de volta. Com urgência. Precisa preencher aquele espaço e o espaço da sua vida. Porque, daqui pra frente, você será sua melhor companhia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Do que não passa pela lógica.

Milagre é quando tudo conspira contra, mas Deus vem de mansinho e com um sopro leve muda o rumo dos ventos. Milagre é quando o incerto nos abraça depois de nos atingir cruelmente com sua fúria. É quando respirar vira quase um suspiro de alívio e a vida devolve o sorriso como forma de retribuição por todo sofrimento. É o instante teimoso que resiste bravamente a um duro percurso e mantém-se em pé amparado pela força divina. É a decisão que escapa de nossas mãos, mas que antes de cair agarra-se com toda força a uma segunda chance. Milagre é o improvável gesto de carinho que impulsiona o ser humano a não deixar de acreditar.

Gosto do teu sorriso e gosto do meu jeito de interpretar cada um deles. O sonolento, o carinhoso, o aflito e o faminto. Gosto quando você me olha e eu entendo seu olhar. Quando você diz sem palavras, quando você age sem braços, sem mãos, quando me toca com sua vontade, só pelo olhar. Quando me faz sentir a mulher mais gostosa de todas, a mais desejada de todas, a mais bem devorada de todas. Isso.

Ando com saudade de ser tua como só você sabe, como só eu sei, como só a gente sabe...
E nossa história é meio do avesso.
Teve um meio, depois um começo e já teve vários "fins". A gente vive se perdendo em brigas tão sem nexo e depois se achando em reconciliações que pertubariam a ordem de Roma. Gosto quando você se incomoda com meu silêncio e diz: "Que foi? Não fica quieta não...", teu jeito de perguntar se tomei meu antialérgico, se coloquei uma blusa, se parei com a bebida. E que você não use isso como álibi, mas adoro quando perde a paciência comigo, quando fica nervoso, quando se irrita, adoro só pra te ver lutando contra a vontade de me puxar e me beijar, de se entregar, de mostrar que a gente não nasceu pra ficar com raiva um do outro, que a gente nasceu pra se consumir. E quando você chegou, trouxe junto na bagagem algo tão intenso que cegou o passado, ele pouco importa, tudo que veio antes ficou lá, no antes...
A gente pode passar pela amargura de forma doce e sublime. Se a gente tiver a gente. O resto é supérfluo. Provamos que podemos tudo, quando provamos que podemos ser tão um, sendo tão dois. E adoro quando ocorre a unificação. Tão eu, tão sua!

Mesmo quando parecer improvável, eu estou amando você!


Quando eu ficar parada olhando para a janela sem motivo algum, eu estou amando você. Quando eu acordar cedo pra trabalhar, lembrando quantas vezes eu estava em casa dormindo e você trabalhando, e eu te ligava pra te dar bom dia, (sendo que quem só de ouvir a sua voz já tinha garantia de um dia lindo pela frente, era eu). Eu estou amando você. Quando alguma lágrima cair do meu olho e secar com o seu tocar de dedos, eu estarei amando você. Eu não te amo por motivos que a maioria possa supor, eu te amo por nós. Te amo por nossos silêncios, onde nos entendemos e ninguém sabe de nada. Eu te amo por pedir desculpa, por te deixar bravo, por te fazer feliz e por compartilhar tanta coisa contigo. Não há bem que signifique, não há palavra que expresse e não há gesto que mostre o quão intenso é o meu amor. Eu te amo quando só você sente. E quando não estivermos bem e não houver nada que me faça te amar, o meu amor fará.

Parabéns pra você!

E tudo bem. Não temos por onde nos falar, mas dou um jeito - tudo para não virar Karma. Pediu explicações, e eu achei válido. Não volto atrás, mas deixo os nós todos feitos, e quero ter uma lembrança boa, tudo resolvido. Falo que queria te parabenizar ao vivo, mas não foi possível - te mandei apenas boas vibrações, aquela minha mania troxa de telepatia e desejei que fosse um aniversário maravilhoso, como também eu tive. Revelo a série de frustrações que me fizeram sumir, me afastar e dar o turn off em toda essa situação, sem nome, nem pé e muito menos, cabeça: que a gente é diferentes demais, que esperamos respostas diferentes da vida, e que, não daria certo. Tão óbvio, quanto claro. Uma pena, como já disse tantas, e tantas vezes. Você tem um sorriso lindo, e isso sempre foi um dos meus atrativos principais.
E então, você me diz que entende, e questiona: por que jogar fora os retratos, os buquês guardados em caixas de papelão, apagar do celular seu telefone, e deixar a porta ainda aberta? Nem eu entendo, te digo. A conversa está aqui, acontecendo, momento presente e toda essa palhaçada. Mas não me compreendo, e nem faço questão. Ajo conforme o que sinto, o que não é novidade. Não há linha de raciocínio, e nem atos premeditados. Na hora da raiva, sobe a vontade, e eu não sou nem louca de me impedir. Me arrependo por manhãs vagarosas, deitada nas minhas duas cobertas desse inverno congelante, e concluo: agi como pude. Pelo menos, me movi. E se não fosse? Seria infinitamente pior pensar no que não aconteceu. Naquilo que não deu pé. Penso algumas vezes nas viagens que a gente combinava em delírio, nas idas a Fazenda que nunca aconteceram, nas apostas que fazíamos pra vida alheia, e nas resoluções que fiz pra esse amor estranho e doentio.
Não vingaram, mas ficaram no filtro da memória daquilo que não vivi. Dolorido, mas filtrado. Graças à Deus.
Foi a forma abstrata que encontrei de resolver essa situação, colocar ordem na minha vida. Mesmo que tenha te machucado.
Um pingo apenas, perto de todo o mar do que doeu em mim, ao fim de tudo.
Você fala que tudo bem, que me quer bem. Quero tanto o seu bem, que saí de perto. Te deixei livre, e um dos motivos foi essa liberdade que era tão necessária pro seu dia-a-dia imprevisível e complicado. O seu veneno era o que me fazia assim cair todas as vezes, e voltar aparentemente mais forte - e por dentro, cada vez mais oca, iludida e sonhadora. Eu te fazia bem, mas você me piorava a cada dia com seu ar indiferente. Não por gosto ou vontade, mas pelas nossas enormes adversidades. E acho que naquela conversa agradável, naquele clima de saudade e good feelings, eu sorri e você não entendeu. Pude imaginar a sua incompreensão frente ao meu desvario feliz, correto e equilibrado. Eu, caindo sempre da corda bamba que é conviver com a minha personalidade forte. Agora aprendendo a andar pé ante pé, firme e olhando pra frente, pro futuro: você foi bom, mas passou. (Passou, não!)
Ironizei o seu medo frente às minhas palavras, as atitudes tolas de perguntar à amigos próximos sobre mim, ou a insistência de amigos seus na minha vida. Não somo amigos. Não fomos, e nunca seremos. Escutar que tudo foi bom, que você gostou de mim chega a doer um pouquinho na ponta do coração, diagonal. Sazonal. Mas não há o que fazer, e essa é uma conversa que finaliza um ciclo. Que fecha as portas, mas deixa as lembranças acesas. Que retira o ódio e o rancor, e recoloca no lugar o bom que ficou do outro, o perfume maravilhoso que usava, e o jeito único de fazer eu parar com minhas prezepadas (Psiiiiiu! rs). As belas e longas, e másculas, mãos, e claro, o sorriso mais lindo do mundo. Enquanto eu estudo, e você tem sua vida a tocar, nos despedimos com uma pontinha de que tudo
volte. No final, apenas arquivamos tudo de bom que ofertamos um ao outro: aprendizado, conversas boas, par de luvas temporárias. O inverno começa agora. A vida continua, e mesmo que as mãos estejam gélidas, frias e arroxeadas, há sempre os bolsos. Alternativas mil.
No mais, eu desejo toda a felicidade do mundo pra você, nem preciso pedir pra mim, porque se mesmo de longe eu ver, ou saber que você têem sido feliz, eu também estarei sendo feliz. A tua felicidade completa a minha. Sucesso em tudo na sua vida! E como não me canso de dizer, sempre, sempre e sempre eu estarei torcendo por você, onde quer que eu esteja.
Me sinto honrada por ter convivido com alguém como você.
Com toda a pureza do meu coração...

Seu eterno Dengo ;*


Apesar da gente nunca ter namorado ou casado ou feito planos, eu vivo como se já tivesse sido toda sua. Nunca contamos o tempo (juntos- porque eu sempre contei sozinha) ou demos nomes aos nossos sentimentos de compromisso. Mas eu sempre me senti comprometida com esse sentimento que você despertava em mim...
Vai começar a chover e eu posso chorar. Voltar no tempo
, me encontrar e chacoalhar meu corpo. Aquela época em que eu já estava quase cínica mas ainda acreditava em um relacionamento com todas as forças do mundo. Porque quanto mais cinismo e cansaço, mais força fazemos e mais forte parece. Eu queria me chacoalhar e dizer que ele existe, sim, o tal do amor, mas você, querida, não sabe ainda nada disso. Isso que você acha que é amor, menina, não passa nem perto. Eu me faria uma visita naquele apartamentinho pequeno e cheio de tentativas de charme e maturidade. E diria pra mim o que ninguém, sabe-se lá porquê, foi capaz de me dizer numa época tão necessária e quase triste. Época de tentar de tudo pra chegar perto do que, um dia, simplesmente acontece mesmo a gente achando que só funciona para os disciplinados na cultura da imbecilidade. Esse povo estranho que divide armário e sorriso de foto. Eu diria: menina, amar a dúvida, o silêncio, a ingratidão, o fim, o atraso, a invenção, a lacuna, o pode ser, as hipóteses, a não resposta, a raiva, o absurdo, o não, a impossibilidade, o depois que foi, o antes de chegar, o difícil, o pode não, amar essas coisas, menina, é amar o mistério e não um homem. Amar um homem não é o telefone que não toca, é o telefone que toca e ele tá daquele jeito que te irrita justamente porque está irritado com você e você desliga logo e ele liga de novo e vocês morrem de rir. Ah, e aí vai dando certo. Foi e foi e foi e cá estamos. Você apaga o cigarro de domingo, a luz e some. Eu escrevo esse texto na mente, tomo banho e me chacoalho. Daqui a pouco a gente, sem se dar conta de plurais e segredos, se encontra no corredor e decide o que faz do resto do dia.

Eu quase me arrependo de te falar de mim. Porque é de doer. Mas sou boba, tenho o coração maior que o peito. Não esqueço do nosso gosto bom. Quando vem o choro é salgado como um mar inteiro. Corta os lábios, impede a fala. Me faz estátua. Mas seu toque é como mágica.

Sempre comigo.

"As criaturas que desempenharam um papel na nossa vida, é raro que saiam de súbito de um modo definitivo. Voltam a pousar nela por momentos (a ponto de alguns acreditarem numa ressurreição de amor) antes de deixá-la para sempre."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

" Tudo posso nAquele que me fortalece. Jesus é quem me fortalece! "

Não posso desistir dos meus sonhos.
Se Deus me deu a capacidade de sonhar, deu-me também a possibilidade de realizar os meus sonhos.
Tudo que o Senhor Jesus me permitiu sonhar pra minha vida, há de se realizar. Eu creio!
" O meu Deus nunca falhou! E as promessas que ELE tem estão de pé. "