Já tinha um mês e resolvi ir nessa festa com cara de festa de gente doida que você vai.
Toda pessoa de cabelo grisalho que entrava eu achava que era você. Assim como acho quando estou na rua, no supermercado, na fila do cinema, dormindo. Virei uma caçadora de pessoas grisalhas Virei uma caçadora de você em todas as pessoas. Então você chegou na festa. E eu apenas sorri e sorri e sorri. Porque era isso.
Eu queria te ver apenas. A dor numa caixinha embaixo dos meus pés e eu mais alta pra poder te abraçar sem dor, perto da sua nuca e por um segundo.
Eu te acho bonito de formas tão variadas e profundas e insuportáveis. Definitivamente, sua beleza me incomoda, muito!
Eu vejo você parecendo um leãozinho no fundo da festa. Suando e analisando. O rei escondido escolhendo a presa que não vai atacar. Com sua eterna tristeza cheia de piadas afiadas. Suas facas afiadas de graças para defender as tristezas que nadam baixas nos seus olhos de quem não quer fazer mal. Mas faz. Seus olhos. Em volta um riozinho melancólico e no centro o sol feliz e novinho chegando. E tudo isso vem forte como um soco de buquê de flores de aço no meu estômago.
E eu quero ir até você e te dizer que eu sei que você desmaia quando faz exame de sangue, que não suporta dor, que tofa vez que passa mal só liga pra mim. E como eu gosto de você por isso. E como eu queria tirar todo meu sangue em pé pra você jamais cair. E como eu gosto de você por causa do e-mail que você mandou pro seu amigo com problemas. Como gosto quando você lembra de alguém e precisa demonstrar naquela hora porque tem medo da frieza das suas distrações. Suas listas de culturas e atenções. Os vasinhos. Os vasinhos coloridos da cozinha me matam. A história do milagre que te salvou da queda da estante. Você arrepiado falando em anjos. Essas suas delicadezas em detalhes dormem e acordam comigo. Acariciam e perfuram meu peito vinte e quatro horas por dia. Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim.
Fora tudo o que guardei de você, me restou a consideração que você guardou por mim. Sua ligação depois, quando me encontra. Sua mão estendida.
Sua lamentação pela vida como ela é. Sua gentileza disfarçada de vergonha por não gostar mais de mim. A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte assim que rouba um coração.Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Finjo que aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo. Como o segundo do meu nariz na sua nuca quando consigo, por um segundo, te abraçar sem dor. O segundo do seu nome na tela do meu celular. O segundo da sua voz do outro lado como se fosse possível começar tudo de novo e eu charmosa e você me fazendo rir e tudo o que poderia ser. O segundo em que suspiro e digo alô e sinto o cheiro da sua sala. Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe. Aceito suas costas indo. Aceito o último cacho virando a esquina. O último fio preso no pé da minha cama. Não é que aceito. Quem gosta assim não come migalhas porque é melhor do que nada, come porque as migalhas já constituem o nó que ficou na garganta. Seus pedaços estão colados na gosma entalada de tudo o que acabou em todas as instâncias menos nos meus suspiros. Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar.
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sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Gosto do teu sorriso e gosto do meu jeito de interpretar cada um deles. O sonolento, o carinhoso, o aflito e o faminto. Gosto quando você me olha e eu entendo seu olhar. Quando você diz sem palavras, quando você age sem braços, sem mãos, quando me toca com sua vontade, só pelo olhar. Quando me faz sentir a mulher mais gostosa de todas, a mais desejada de todas, a mais bem devorada de todas. Isso.Ando com saudade de ser tua como só você sabe, como só eu sei, como só a gente sabe...
E nossa história é meio do avesso. Teve um meio, depois um começo e já teve vários "fins". A gente vive se perdendo em brigas tão sem nexo e depois se achando em reconciliações que pertubariam a ordem de Roma. Gosto quando você se incomoda com meu silêncio e diz: "Que foi? Não fica quieta não...", teu jeito de perguntar se tomei meu antialérgico, se coloquei uma blusa, se parei com a bebida. E que você não use isso como álibi, mas adoro quando perde a paciência comigo, quando fica nervoso, quando se irrita, adoro só pra te ver lutando contra a vontade de me puxar e me beijar, de se entregar, de mostrar que a gente não nasceu pra ficar com raiva um do outro, que a gente nasceu pra se consumir. E quando você chegou, trouxe junto na bagagem algo tão intenso que cegou o passado, ele pouco importa, tudo que veio antes ficou lá, no antes... A gente pode passar pela amargura de forma doce e sublime. Se a gente tiver a gente. O resto é supérfluo. Provamos que podemos tudo, quando provamos que podemos ser tão um, sendo tão dois. E adoro quando ocorre a unificação. Tão eu, tão sua!
E nossa história é meio do avesso. Teve um meio, depois um começo e já teve vários "fins". A gente vive se perdendo em brigas tão sem nexo e depois se achando em reconciliações que pertubariam a ordem de Roma. Gosto quando você se incomoda com meu silêncio e diz: "Que foi? Não fica quieta não...", teu jeito de perguntar se tomei meu antialérgico, se coloquei uma blusa, se parei com a bebida. E que você não use isso como álibi, mas adoro quando perde a paciência comigo, quando fica nervoso, quando se irrita, adoro só pra te ver lutando contra a vontade de me puxar e me beijar, de se entregar, de mostrar que a gente não nasceu pra ficar com raiva um do outro, que a gente nasceu pra se consumir. E quando você chegou, trouxe junto na bagagem algo tão intenso que cegou o passado, ele pouco importa, tudo que veio antes ficou lá, no antes... A gente pode passar pela amargura de forma doce e sublime. Se a gente tiver a gente. O resto é supérfluo. Provamos que podemos tudo, quando provamos que podemos ser tão um, sendo tão dois. E adoro quando ocorre a unificação. Tão eu, tão sua!
Mesmo quando parecer improvável, eu estou amando você!
Quando eu ficar parada olhando para a janela sem motivo algum, eu estou amando você. Quando eu acordar cedo pra trabalhar, lembrando quantas vezes eu estava em casa dormindo e você trabalhando, e eu te ligava pra te dar bom dia, (sendo que quem só de ouvir a sua voz já tinha garantia de um dia lindo pela frente, era eu). Eu estou amando você. Quando alguma lágrima cair do meu olho e secar com o seu tocar de dedos, eu estarei amando você. Eu não te amo por motivos que a maioria possa supor, eu te amo por nós. Te amo por nossos silêncios, onde nos entendemos e ninguém sabe de nada. Eu te amo por pedir desculpa, por te deixar bravo, por te fazer feliz e por compartilhar tanta coisa contigo. Não há bem que signifique, não há palavra que expresse e não há gesto que mostre o quão intenso é o meu amor. Eu te amo quando só você sente. E quando não estivermos bem e não houver nada que me faça te amar, o meu amor fará.
Parabéns pra você!
E então, você me diz que entende, e questiona: por que jogar fora os retratos, os buquês guardados em caixas de papelão, apagar do celular seu telefone, e deixar a porta ainda aberta? Nem eu entendo, te digo. A conversa está aqui, acontecendo, momento presente e toda essa palhaçada. Mas não me compreendo, e nem faço questão. Ajo conforme o que sinto, o que não é novidade. Não há linha de raciocínio, e nem atos premeditados. Na hora da raiva, sobe a vontade, e eu não sou nem louca de me impedir. Me arrependo por manhãs vagarosas, deitada nas minhas duas cobertas desse inverno congelante, e concluo: agi como pude. Pelo menos, me movi. E se não fosse? Seria infinitamente pior pensar no que não aconteceu. Naquilo que não deu pé. Penso algumas vezes nas viagens que a gente combinava em delírio, nas idas a Fazenda que nunca aconteceram, nas apostas que fazíamos pra vida alheia, e nas resoluções que fiz pra esse amor estranho e doentio. Não vingaram, mas ficaram no filtro da memória daquilo que não vivi. Dolorido, mas filtrado. Graças à Deus.
Foi a forma abstrata que encontrei de resolver essa situação, colocar ordem na minha vida. Mesmo que tenha te machucado. Um pingo apenas, perto de todo o mar do que doeu em mim, ao fim de tudo.
Você fala que tudo bem, que me quer bem. Quero tanto o seu bem, que saí de perto. Te deixei livre, e um dos motivos foi essa liberdade que era tão necessária pro seu dia-a-dia imprevisível e complicado. O seu veneno era o que me fazia assim cair todas as vezes, e voltar aparentemente mais forte - e por dentro, cada vez mais oca, iludida e sonhadora. Eu te fazia bem, mas você me piorava a cada dia com seu ar indiferente. Não por gosto ou vontade, mas pelas nossas enormes adversidades. E acho que naquela conversa agradável, naquele clima de saudade e good feelings, eu sorri e você não entendeu. Pude imaginar a sua incompreensão frente ao meu desvario feliz, correto e equilibrado. Eu, caindo sempre da corda bamba que é conviver com a minha personalidade forte. Agora aprendendo a andar pé ante pé, firme e olhando pra frente, pro futuro: você foi bom, mas passou. (Passou, não!)
Ironizei o seu medo frente às minhas palavras, as atitudes tolas de perguntar à amigos próximos sobre mim, ou a insistência de amigos seus na minha vida. Não somo amigos. Não fomos, e nunca seremos. Escutar que tudo foi bom, que você gostou de mim chega a doer um pouquinho na ponta do coração, diagonal. Sazonal. Mas não há o que fazer, e essa é uma conversa que finaliza um ciclo. Que fecha as portas, mas deixa as lembranças acesas. Que retira o ódio e o rancor, e recoloca no lugar o bom que ficou do outro, o perfume maravilhoso que usava, e o jeito único de fazer eu parar com minhas prezepadas (Psiiiiiu! rs). As belas e longas, e másculas, mãos, e claro, o sorriso mais lindo do mundo. Enquanto eu estudo, e você tem sua vida a tocar, nos despedimos com uma pontinha de que tudo volte. No final, apenas arquivamos tudo de bom que ofertamos um ao outro: aprendizado, conversas boas, par de luvas temporárias. O inverno começa agora. A vida continua, e mesmo que as mãos estejam gélidas, frias e arroxeadas, há sempre os bolsos. Alternativas mil.
No mais, eu desejo toda a felicidade do mundo pra você, nem preciso pedir pra mim, porque se mesmo de longe eu ver, ou saber que você têem sido feliz, eu também estarei sendo feliz. A tua felicidade completa a minha. Sucesso em tudo na sua vida! E como não me canso de dizer, sempre, sempre e sempre eu estarei torcendo por você, onde quer que eu esteja.
Me sinto honrada por ter convivido com alguém como você.
Com toda a pureza do meu coração...
Seu eterno Dengo ;*
Apesar da gente nunca ter namorado ou casado ou feito planos, eu vivo como se já tivesse sido toda sua. Nunca contamos o tempo (juntos- porque eu sempre contei sozinha) ou demos nomes aos nossos sentimentos de compromisso. Mas eu sempre me senti comprometida com esse sentimento que você despertava em mim...Vai começar a chover e eu posso chorar. Voltar no tempo, me encontrar e chacoalhar meu corpo. Aquela época em que eu já estava quase cínica mas ainda acreditava em um relacionamento com todas as forças do mundo. Porque quanto mais cinismo e cansaço, mais força fazemos e mais forte parece. Eu queria me chacoalhar e dizer que ele existe, sim, o tal do amor, mas você, querida, não sabe ainda nada disso. Isso que você acha que é amor, menina, não passa nem perto. Eu me faria uma visita naquele apartamentinho pequeno e cheio de tentativas de charme e maturidade. E diria pra mim o que ninguém, sabe-se lá porquê, foi capaz de me dizer numa época tão necessária e quase triste. Época de tentar de tudo pra chegar perto do que, um dia, simplesmente acontece mesmo a gente achando que só funciona para os disciplinados na cultura da imbecilidade. Esse povo estranho que divide armário e sorriso de foto. Eu diria: menina, amar a dúvida, o silêncio, a ingratidão, o fim, o atraso, a invenção, a lacuna, o pode ser, as hipóteses, a não resposta, a raiva, o absurdo, o não, a impossibilidade, o depois que foi, o antes de chegar, o difícil, o pode não, amar essas coisas, menina, é amar o mistério e não um homem. Amar um homem não é o telefone que não toca, é o telefone que toca e ele tá daquele jeito que te irrita justamente porque está irritado com você e você desliga logo e ele liga de novo e vocês morrem de rir. Ah, e aí vai dando certo. Foi e foi e foi e cá estamos. Você apaga o cigarro de domingo, a luz e some. Eu escrevo esse texto na mente, tomo banho e me chacoalho. Daqui a pouco a gente, sem se dar conta de plurais e segredos, se encontra no corredor e decide o que faz do resto do dia.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Continuo sendo a mesma menina de forte essência.
E tudo isso parece dar tantas voltas...Minha vida sentimental está uma bagunça, não sou a pessoa mais indicada pra falar de amor nesse momento.
Não que eu esteja mal por tudo isso, mas acho que estou me acostumando com a frase "Não damos certo juntos.", mas disso também já não sei.
Eu que sempre aguardei nosso reencontro, agora estou aprendendo a não me apegar à você. Em 2 anos as pessoas mudam, porém, pelo que me parece, eu em nada mudei.
Ainda sou a mesma "bobona" que ri por coisas que nem sempre chama atenção de todos. E isso te incomoda.
Eu ainda não sou a MULHER que vai ficar se arrumando e fazendo pose pra sair, me esforçando em coisas que não demonstrem minha infantilidade. Não terei all star, pulseiras de plástico ou coisas que sua irmã de 12 anos colocaria no braço pra rir. Serei uma mulher e serei diferente. Porém, eu ainda não sou assim.
Se você passar na rua e encontrar uma MENINA sentada, ali estarei eu. Vou estar rindo, implicando com algo e me sentirei feliz assim. Sem poses, disfarces ou comportamento sério, estarei livre e disposta a correr pela rua se me convidar e é aí que você entra me olhando de cara feia e dizendo "Não damos certos juntos."
Não consigo esquecer-me de quando discutimos por telefone numa festa, e que você me disse : Não damos certo, só isso!
Não estou pronta pra largar esse mundo, sair disso e realmente mudar. Em 2 anos eu mudei, meus pensamentos são outros, mas minha essência ainda é forte, mas sei que isso é irrelevante pra você.
Então ela parou e em sua mente, recordações começaram a ocupar um espaço, um espaço, que para ela havia sido muito importante.Ela se lembrava de um Dengo, o qual lhe ajudou a entender que nem todos são iguais, mas que alguns se destacam profundamente em nossas vidas.
E como em livros e filmes sabe? Você espera o perfeito, o incrível.
Mas na verdade ele sempre está presente, não de um jeito tão perfeitinho como sempre vimos, mas quando ele chega, ele chega e arrebata tudo que está perto, ele chega e mostra que existem coisas incríveis, momentos incríveis, pessoas que valem à pena, e que quando você se afasta, podem passar anos, mas eles ainda continuam lá, em um lugar secreto ao qual você cuida com muito carinho, para que nada disso se perca.
sábado, 4 de junho de 2011
É amor sim, um amor que você nunca conheceu e se assustou ao sentir.
Você pode ir até esquina para respirar outro ar, você pode procurar um outro par pra sua dança, você pode culpar a chuva pelo trânsito que sempre te impede de chegar até mim. Você pode rasgar todas as folhas que citam meu nome e me excluir de todos os seus contatos, você pode me calar, me colocar numa estante e deixar que a poeira esconda o meu rosto, pode ignorar os dias em que a saudade te acordou de madrugada e lembrar apenas das vezes em que a minha lembrança era um ponto distante demais no horizonte ao qual você dava as costas enquanto caminhava. Você pode usar de todos os artifícios para não lembrar, de todas as rotas para fugir, de tudo o que não foi pra se convencer; você só não pode negar o amor.Existe algo que acontece por trás de tudo isso, além das suas palavras escolhidas para se esconder, na frente de cada nota abaixo de cinco que você distribui mentalmente àquelas que sonham com o dia em que serão eu - ou ocuparão o lugar que ocupo. Ambos sabemos que não sou a nota 10 na sua escala, mas do saber até o convencer o coração, eis aí a verdadeira batalha. Você luta, eu sei. Passas seus dias sem nenhum pensamento em mim, mas antes de dormir os seus pensamentos são meus. Rabiscas versos sem rimas em mim, mas deixas nas entrelinhas a inspiração que tirastes daquelas lembranças que também são minhas. Sei que todos os dias você narra para si um capítulo da história sobre nossas ausências, cujo tema principal deixou de ser a saudade para ser essa sua certeza de que todas as minhas palavras já mudaram de endereço. Mas toda essa sua corrida para longe de mim é em círculos, porque você, mais do que ninguém, sabe que o amor sempre encontra um jeito de te atropelar e de te empurrar de volta praquele nosso canto. Você sabe, meu bem, que a canção não terminou, e que esses solos de guitarra do tempo apenas anunciam a virada que em breve acontecerá, quando nossas vozes unidas gritarão aquele nosso refrão. Existe algo que te traz de volta e nos prende aqui, se não for o amor, me empreste a sua gramática, porque na minha só há essa explicação.
Vá até a esquina, mas volte pra me contar da falta que fez os meus lábios nos teus ; dance com outro par e tente não comparar os passos dela com o meu, se conseguires, aí então te deixo ir, mas se seus passos ensaiados precisarem dos meus, você sabe onde me procurar. Corre de uma vez e entra nessa porta que sempre esteve aberta para você. Entra e fica. Coloca os pés no sofá, põe teus livros na estante e tuas páginas nos meus favoritos. Coloca tuas músicas carregadas de histórias pra tocar, forra a cama com teu lençol , borrifa o teu perfume no ar desse apartamento tão castigado pela tua ausência. Toma de uma vez por todas o lugar que sempre foi teu.
Não, prometo não dar nome às emoções, se isso te assusta tanto. Mas não, não há como dizer que não é amor. Como você explica a sua virada de cabeça toda vez que um colega se aproxima de mim ou meu telefone toca e você sabe que a voz do outro lado da linha é masculina? Como você explica essa angústia que samba no teu peito sempre que eu conto sobre o que vivi sem você, isso que te faz sentir tão excluído do que me fez ser essa menina-mulher que hoje não só te inclui na história, como te faz personagem principal?
E o que mais seria esse meu cuidado por ti, essa consciência de que a sua felicidade - longe ou perto de mim - é a única coisa que importa? Tem também o frio na barriga que sempre sinto antes de te encontrar, o medo de te ver escapar por entre meus dedos, a expectativa de que um dia você me diga um sim definitivo e se tranque aqui dentro.
E então, do que chamar o peso que carregamos durante nossas ausências, as lágrimas que derramamos quando não havia nenhum sentido aparente, os telefonemas que demos só pra ouvir o riso tímido, de quem não sabe o que dizer, mas não quer terminar a ligação, do outro lado da linha? Ah, amor, é amor.
Até quando você vai insistir em não ver? Até quando você vai fugir? É amor sim, um amor que você nunca conheceu e se assustou ao sentir. Eu sei que todas as outras tentaram e falharam, mas eu posso ser diferente. Eu sei que nenhuma delas nunca te tratou como eu, e que todos esses clichês te assustam, que você teme todas essas discussões bobas e as interrupções bruscas que acabam te ferindo e enchendo teu peito de ausências. Mas dessa vez é diferente, acredite em mim. Não importa o que passou, o que importa é o amor. E só. O seu medo, o meu medo, nossos passados e cicatrizes são apenas bobagens. Bobagens, meu bem, bobagens.
"então vem
vem e me ama
por uns momentos profundos
e o resto?
bobagens, meu filho, bobagens."
(Caetano Veloso)
Até quando você vai insistir em não ver? Até quando você vai fugir? É amor sim, um amor que você nunca conheceu e se assustou ao sentir. Eu sei que todas as outras tentaram e falharam, mas eu posso ser diferente. Eu sei que nenhuma delas nunca te tratou como eu, e que todos esses clichês te assustam, que você teme todas essas discussões bobas e as interrupções bruscas que acabam te ferindo e enchendo teu peito de ausências. Mas dessa vez é diferente, acredite em mim. Não importa o que passou, o que importa é o amor. E só. O seu medo, o meu medo, nossos passados e cicatrizes são apenas bobagens. Bobagens, meu bem, bobagens.
"então vem
vem e me ama
por uns momentos profundos
e o resto?
bobagens, meu filho, bobagens."
(Caetano Veloso)
...o que eu queria te dizer.
Obrigada.Não gosto de começar cartas com oi ou qualquer outro cumprimento formal, cartas são mais que escritas, são sentidas, portanto, pode ser que pareça meio confuso, meio torto, mas é que meus sentimentos são assim mesmo, tenta entender. E começar uma carta com um obrigada pra mim é muito mais que uma demonstração de amor. É um reconhecimento do valor que você tem pra mim. A gente só agradece quando algo faz bem e traz alguma mudança. E agradecer é o mínimo que eu posso fazer por você ter me escolhido. No meio de tanta gente, entre tantos olhares melhores resolvidos, entre tantos corações tão mais simples, você foi logo me escolher. Eu.
Eu e minha mania de ter medo de tudo e todos. De desconfiar, questionar, somar, subtrair, até chegar a um resultado simples. Eu, com meu jeito mais que estranho de ser. Eu e minhas palavras que sufocam, respiram, alimentam. Eu.
Eu queria fazer valer todo seu investimento em mim. Queria não temer, duvidar, me preocupar. Queria dizer sim, sim, sim. Porque você merece alguém melhor, mas ainda assim insiste em mim. Mas é que não dá pra mandar no coração e dizer ei, agora muda de rumo, chega de bater na mesma tecla, tem alguém lindo te esperando do outro lado. Não dá mesmo, desculpa. Tem um sentimento antigo em mim que se recusa a ir embora. Se você tiver disposto, a gente pode tentar, mas eu queria que não fosse assim.
Eu queria que tudo fosse mais claro. Que eu não precisasse me apaixonar ainda. Eu queria estar absurdamente apaixonada e encontrar contigo por aí pra juntar nossas paixões e nossos corações igualmente absurdamente apaixonados. Talvez o maior motivo pra essa minha não-paixão por você seja meu medo. Escuta meu segredo: eu tenho medo de me apaixonar por você. Porque embora te conheça e te chame de Dengo e te ame e me importe com cada centímetro do que acontece contigo, eu sinto que ainda não te conheço.
Por isso, pra isso acontecer de verdade, eu queria que você fosse mais claro. Que me mostrasse que a pessoa que escreve é a mesma que vive. Que além de toda a máscara, há alguém que sabe falar sério, sabe como lidar com alguém tão confusa como eu. Eu posso ser o que você espera que eu seja. Assim como você pode ser o que eu estive procurando por todo esse tempo. A gente só vai saber se tentar, eu sei. Mas antes de tentar a gente tem que conhecer. Dividir mais que o abraço, a piada, o segredo. A gente tem que dividir medos, dúvidas, dores, alegrias e esperanças. Me conta sobre o que você aprendeu durante esse tempo. Deixa eu te mostrar o que eu aprendi, te falar o que ouvi e te escrever o que senti. Faça com que meu amor tenha motivos pra andar por aí dando a cara à tapa. Os outros não acreditam? E daí? Faça com que meu amor acredite e isso será o bastante pra mim.
Eu estou disposta a mergulhar, a ir até o fim, a embarcar no trem e no teu abraço tão maior que eu. Mas você tem que prometer que vai valer à pena, que vai comigo até o fim, que seu abraço nunca vai diminuir e que vai se esforçar e tentar entender todas essas dúvidas. Tá nas suas mãos agora. Me ensina a ser feito boba. Me prova que é de verdade. Me mostra quem você é de verdade.
Eu amo você. Você sempre mereceu, mas ainda assim eu nunca havia escrito um texto pra você. Você sempre esteve aqui. Me assistindo, me ouvindo falar sobre os outros caras, rindo com a minha felicidade, mesmo quando ela doía em você. Obrigada por isso também. Você merece todas as palavras que puder escrever daqui em diante. Nunca acreditei muito nessa história de amigos e amores misturados, mas nesse caso eu abro uma exceção. Obrigada por ter me visto no meio da multidão. Por ter encontrado alguma graça em mim. Quero fazer valer seus instantes pensando em mim. Suas palavras direcionadas a mim. Seus esforços pra me ter.
Talvez seja esse o tempo. Talvez não. Talvez seja você a pessoa certa. Talvez seja eu a pessoa errada. Tudo isso a gente descobre com o tempo. Não deixe morrer, não deixe virar poeira, virar nada. Não faça com que eu tenha motivos pra desacreditar.
Vou usar esses dias pra decidir. Se tiver alguma coisa a dizer, corre. Hoje eu acredito, hoje eu quero. Mas amanhã pode ser que eu desista. Por isso corre. Diz que promete valer à pena. Que promete que o nosso caminho será o das flores.
Cartas esperam respostas e no bolsinho da minha camisa tem espaço de sobra pra um recado teu.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Nem liguei pro patrão, deixei o véio na mão e fui pra rua espairecerBuscar uma solução pros problema que tinha, dei um giro na cidade quando decidi vê-lo. Bati no portão, com lágrimas no rosto. Ele me abraçou apertado, num gesto desesperado, saudade mútua, me entreguei.
E lhe disse que não tava bem. Disse que tava foda em casa e que os problema tão demais. Capaz de me jogar no mundão, sem noção nenhuma do que penso ou faço.
E ele disse: então, meu bem, você sabe que eu sempre te quis, que bom que veio me procurar.
Se quiser desabafar fica à vontade, mas com toda essa saudade eu nem vou te deixar falar.
Mulher... tu sabe o que eu vou te dizer: os seus problema a gente tem que resolver, mas deixa pra amanhã, porque hoje eu vou te fazer mulher...
terça-feira, 31 de maio de 2011
Meu sexto sentido feminino não falhou.
A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.
São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e acariciando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo. Já são sete e meia da manhã. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!
Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Hai! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Hai, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Hai, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Ansiopax mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente.
Você acha que ele está com alguém? Não sei, Hai, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Hai, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Hai, do jeito que ele gostava de você? Claro que não!
Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom aquele Dengo! Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.
Orkut, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do orkut agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso.
E eu soube. Minha intuição feminina não erra. Ele, de fato, estar com alguém.
Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora no meu bairro, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não sabe dengar meu braço.
Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei.
O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo...
Apesar de ...
Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.
Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida.
Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você me deixava a mercê de sua coragem surgir e decidir aceitar todo amor que eu guardei pra te dar.
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.
Eu sempre estive pronta pra começar, e você sempre ignorou.
Todas as vezes que te vi, nesses últimos dois ou três anos, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra tomar um café de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompido pelo vazio da sua camiseta cheirando a perfume importado. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais .Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há uns dois ou três anos, você vai me ligar querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.RE- re- re- re adaptado. rs
Só sei que a noite está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia. Lembro com carinho de quando nos conhecemos, você parecia um cara tranquilo demais, caseiro, mas com o tempo percebi que era não era bem isso. Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca se alterava. Acontecesse um acidente na nossa frente ou quando eu esquecia meu celular em um canto qualquer e não via suas ligações. Você nunca revidava meu chiliques de stress rs. Eram tão raros os nossos momentos e sempre eram bons. Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: das suas histórias. Me faz muita falta ouvir sobre sua vida, suas histórias, seus medos, seus desejos, suas angústias. E como me faz bem saber o quanto você confia em mim, o quanto você se sente bem em conversar comigo.Você me ensinou muita coisa, a te respeitar, te admirar, te querer, só não me ensinou a te amar, isso aprendi sozinha.
Você me fez perceber que ciúme é um saco, principalmente quando você invoca em algo ridículo, mas eu mesmo assim acho lindo e necessário. Sabe, quando estamos distantes, mesmo que por horas, sinto muita saudade, de ser abraçada por um homem-menino, de encaixar o rosto no vão das suas costas e querer ser embalsamada ali por mil anos.
A vida fica surda sem você, porque o volume do mundo abaixa para ouvir meu grito interno. O mundo fica passando como um filme Super Oito na parede, as pessoas estão felizes, mas parece que faz tempo demais e sentido nenhum. Sem você sinto essa felicidade sem som, como se por maior que fosse um sentimento, ele já nascesse com defeito.
Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado, as pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.
Às vezes sinto que você vai me querer pra sempre, e vai assumir tudo isso e ficar ao meu lado pra sempre. Por que eu ainda sou frágil, preciso de você, preciso que cuide de mim. Mas não quero sujar nosso amor com a minha mania de amar despedaçada e esfarelada, quero ficar toda inteira pra quando você me quiser.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente sempre se despedindo e rindo muito dessa besteira toda, do seu carro sempre confortável pra os nossos "malabarismos", da paciência que você tinha com meus bicos e birras, da mania que tenho de falar besteira demais, suas roupas,suas tatuagens e de quando você ficava nervoso e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Sabe aquele cantor que agora é ator e autor? Aquele que cantava “você venceu, batata frita”. Ele me fez pensar em nós agora. Taí. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele.
Pois é te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E como você diria: foda-se você.
Te amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de transar com você no banho eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos netos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Pois só você não acredita na gente. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente.
Sabe, não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha.
Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Vem! Não posso esperar, tenho uma alma fervendo dentro de mim que só sabe viver presentes.
"Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala sereno, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias. É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena. É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios. Claro, "o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato". Mas e o dia de hoje? Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar. Não negue, apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto. Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates... Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar! Não sou pedaço. Mas não me basto. "'Amor também morre' de saudade, sabia?
Começou assim: eu subi as escadas e lá estava você, querendo parecer sério com aquele estilo de barba que eu adoro em você. Eu caí da escada e demorei anos pra me levantar. Eu te amava com uma mistura de todos os meus personagens e, por isso, tão intensamente. Eu era uma menina deslumbrada que amava ver suas invenções por aí, era uma menina carente que amava seu jeito de pai, uma mulher em formação que se formou com você, uma depressiva neurótica que precisava de sua tranquilidade que deixava tudo leve, até sua ausência e impossibilidade eu amava com toda a minha vontade de grudar em você pra sempre. Até que cheguei ao ponto de te amar sei lá por que, o que deve ser o verdadeiro amor. Um dia seu cheiro começou a me dar um azedo na alma. Seu jeito, uma preguiça de me encantar. Suas palavras, um zumbido chato que me animava a prestar atenção em outra coisa. Era o instinto me dizendo que não dava mais pra sofrer. Amor também morre de saudade, sabia? E eu tinha saudade de te amar pura. Depois de levantar duzentas vezes e ir para o canto do ringue, cuspir sangue e ouvir a torcida dentro do meu coração gritar pedindo mais, eu fui a nocaute.Você sabia melhor do que ninguém que a felicidade me esmagava e eu ficava ainda mais carente quando ganhava carinho. Por isso você era em doses homeopáticas a pessoa mais carinhosa do mundo e também o ser mais frio do planeta. Muito em pouco, o máximo no mínimo, quase nunca pra sempre, nunca mais todos os dias. Mas agora você se distrai com as três passagens que comprou: uma para você e duas para a sua nova namoradinha, que é tão agraciada com culotes que precisa de dois lugares no avião.Não é inveja, nem ciúme, nem dor, é cansaço dessa vida banal que me arrota na cara toda vez que eu engulo ar para aumentar ainda mais a minha intensidade. Por que as pessoas são assim tão esquecíveis e passageiras? Por que planejar uma agenda de motivos para não ser de alguém com medo de se perder?o tipo certo de cara errado...
Cravos no nariz, achei que estava ressecado porque creme é coisa de metrossexual e ele já havia me avisado que não era desses. Mas eram cravos no nariz, e ele parecia orgulhoso disso.
Você é fresca assim sempre ? A pergunta interrompeu minha frescura e um pouco de nojo e eu respondi, orgulhosa dos cravos dele: claro que não.
Nosso primeiro beijo foi na casa dele, ele tinha feito a caipirinha mais gostosa do mundo e me mostrado a incrível bagunça do seu quarto. Isso tudo merecia ser selado.
Na foto ele parecia mais homem do que ao vivo. Mas ao vivo ele me pareceu ainda mais homem do que na foto. Sei lá, eu também não entendi nada.
Do nada eu tive vontade de perguntar como ia ser nossa rotina agora, mas fiquei com medo de ele me achar uma dessas loucas carentes em busca do homem da vida. Fiquei com medo de ele ver a verdade. Não perguntei, mas olhei para ele e ele me disse: e agora como vai ser a gente se bater na faculdade?
Ele é daquelas caras sujos que falam gostosa no seu ouvido, não cheiram a perfume e respiram pesado no seu ouvido para você pensar que está transando.
Ele é bem o tipo que eu gosto.
Meu filho vai se chamar João o dele Pedro. Eu sempre fico bêbada, eu nunca vi ele bêbado.
Você é fresca assim sempre ? A pergunta interrompeu minha frescura e um pouco de nojo e eu respondi, orgulhosa dos cravos dele: claro que não.
Nosso primeiro beijo foi na casa dele, ele tinha feito a caipirinha mais gostosa do mundo e me mostrado a incrível bagunça do seu quarto. Isso tudo merecia ser selado.
Na foto ele parecia mais homem do que ao vivo. Mas ao vivo ele me pareceu ainda mais homem do que na foto. Sei lá, eu também não entendi nada.
Do nada eu tive vontade de perguntar como ia ser nossa rotina agora, mas fiquei com medo de ele me achar uma dessas loucas carentes em busca do homem da vida. Fiquei com medo de ele ver a verdade. Não perguntei, mas olhei para ele e ele me disse: e agora como vai ser a gente se bater na faculdade?
Ele é daquelas caras sujos que falam gostosa no seu ouvido, não cheiram a perfume e respiram pesado no seu ouvido para você pensar que está transando.
Ele é bem o tipo que eu gosto.
Meu filho vai se chamar João o dele Pedro. Eu sempre fico bêbada, eu nunca vi ele bêbado.
Eu tive vontade de dormir no peito dele, em cima da camisa ridícula dele. Ele disse que meu nariz era lindo, eu sempre achei isso mas nunca tinha ouvido.
Ele me perguntou se eu sofria, fizemos cara de dor e mudamos de assunto. Concordamos que o vício pela paixão era estúpido e que conviver solitariamente com nosso umbigo era desumano.
O carinho dele partia do meu antebraço para as mãos, como se escorresse do meu coração e não mais o enchesse. Era a hora do adeus e de contar, por consideração à noite, que meu cabelo não era liso.
A claridade trouxe o cansaço de estar em mais um roteiro de cinema independente e ele me pediu mais uma vez que guardasse nosso segredo. Ele saiu do carro envolto numa atmosfera de cervejas e fumaças já digeridas e outros tantos desejos que não iríamos mais digerir.
Eu fui embora, tendo certeza mais uma vez de que nunca sou eu que vai embora.
Tati Bernardi (adaptado)
Ele me perguntou se eu sofria, fizemos cara de dor e mudamos de assunto. Concordamos que o vício pela paixão era estúpido e que conviver solitariamente com nosso umbigo era desumano.
O carinho dele partia do meu antebraço para as mãos, como se escorresse do meu coração e não mais o enchesse. Era a hora do adeus e de contar, por consideração à noite, que meu cabelo não era liso.
A claridade trouxe o cansaço de estar em mais um roteiro de cinema independente e ele me pediu mais uma vez que guardasse nosso segredo. Ele saiu do carro envolto numa atmosfera de cervejas e fumaças já digeridas e outros tantos desejos que não iríamos mais digerir.
Eu fui embora, tendo certeza mais uma vez de que nunca sou eu que vai embora.
Tati Bernardi (adaptado)
sábado, 23 de abril de 2011
Nostalgia... a saudade silenciada começou a gritar.
Lá está você, com toda a sua onipresença me seguindo enquanto eu vou ao mercado, atravesso a rua, corto o cabelo, paro para ler em uma praça, atravesso a rua distraída, assisto tevê num imenso sofá vazio. Pelo menos, gosto de pensar que você está comigo...Me dei ao luxo de ter um dia de nostalgia.
Vi na floricultura um rapaz com um buquê imenso de rosas vermelhas, e me lembrei imediatamente do quão romântico você foi ao me entregar rosas, me fazendo cessar um discurso birrento. Folheei o livro que guarda a primeira lembrança física que tenho de você, tirei fotos e 'cartas nunca entregues' de dentro da caixa para olhar. Lembrei do dia em que você me chamou de 'Dengosinha', das manhãs que eu estava em 'sono profundo' e acordava só pra te ligar e dizer: "Bom dia, bê." E da vez que gritei com você pelo telefone e logo depois liguei pedindo desculpas. Chorei um pouco lembrando do último beijo e da última vez que estive com você, das brigas bobas e da última palavra. Chorei lembrando que fiquei com o telefone no ouvido escutando o "tu tu tu" depois de você ter desligado. Passei na frente da sua casa, fiquei parada um pouco vendo as luzes dos cômodos se acenderem e se apagarem, fui embora. Lembrei de quando você me visitou no hospital e cuidou de mim, com mimos e me cobrindo toda pra não sentir frio, lembrei também de você apertando minha cabeça pra ver se tinha ficado alguma sequela do acidente. Comprei o sabor de sorvete que você gosta e comi sozinha assistindo um filme deprê. Li umas revistas que você achava a maior bobagem do mundo, escutei a "nossa música" no repeat do rádio. E sabe de uma coisa? Nada que eu faça vai diminuir a dor da perda, então quero mais é sentir cada milímetro de você dentro de mim. Dói sim, é difícil sim. Mas te lembro e te curto em cada detalhe do que ficou: desde um adesivo que você colou em mim no dia do nosso primeiro beijo, e das flores todas guardadas, já murchas, mas com um significado indescritível. Sinto você perto de mim todos os dias, e sei que foi bom o que passou. Mesmo longe, pensa em mim também, tá?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Obviedade do amor.
Eu não queria ser mais uma na sua cama, por isso disse não aos diversos convites feitos por você pra passarmos um fim de semana na fazenda, pra me afastar da obviedade do amor...[Era a idealização perfeita da minha cabeça, de um fim de semana de puro amor]. Não sabia como, mas queria que você me notasse diferente de todas as outras. Mesmo assim, hoje senti uma puta falta sua, da sua pontualidade física, daquela cicatriz que você odeia em seu rosto, e eu não cansava de olhar. Eu não sei se rosas vermelhas ou qualquer metáfora que leio em livros-mulherzinha podem resumir o amor, mas quando penso em amor, vejo que ele deve ser transformador. Eu não gostava de rosas antes de você rsrs Depois de você, eu mudei, isso é fato e como aconteceu ou quanto durou, não importa. Você pode seguir do outro lado da cidade sem me ligar e eu ficar aqui, arrastando o sofá até a porta pra que você não possa voltar. Mas agora tanto faz, as rosas morrem mesmo... A grande ironia disso tudo é que continuo tentando pensar no amor como metáforas cheias de flores ou ausentes delas, lendo filósofos e poetas capazes de defini-los. Bem ou mal, eu vivo com ou sem você, mas o grande inconveniente é que o amor não pode ser medido sem você tragando aquele cigarro irritante, que me deixava louca de preocupação com seu pulmão, ou aquelas gargalhadas altas quando bebia, que acabava chamando a atenção daquelas piriguetes sempre de olho em você, meu Grandão. Se você vai, o amor vai junto e tudo volta a ser como era antes. Com ou sem rosas vermelhas, a presença é a obviedade do amor.
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